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Um blog que só passava por blogocídio quando algo dava errado na edição
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Entre tantas outras coisas...
Então é assim, eu tô virando um picolé. F. sempre fala que eu sou friorenta demais, coisa que eu não deveria ser porque eu sou gorda. Nem um pouco sutil ou delicado, diga-se de passagem, mas eu relevo. A questão é que meu corpo tem sérios problemas de temperatura. Qualquer solzinho que apareça me faz derreter, qualquer ventinho que bata, me faz congelar. E meia estação é genial. Eu fico tendo calafrios, como se um bando de dementadores* ficasse aparecendo e sumindo pra me irritar. E tem também a chuva. Certa vez, neste finado blog, eu escrevi sobre como eu gostava tanto da chuva quando era criança e como a chuva hoje tem sido inconveniente. A questão é que meu irmão e eu discordamos em tudo na vida, menos na disposição da mobilia do nosso quarto. E anteontem eu fui acordada com a minha mãe arrastando todos os móveis por causa da goteira, que fica exatamente no espaço entre a minha cama, a do meu irmão e a estante da tevê. Tudo porque minha tia estava vindo do interior pra cá mais uma vez e não havia espaço para os colchões que não inflingissem em ficar embaixo da goteira. A solução dela foi colocar a cama do meu irmão quase dentro do guarda-roupas e o sofá na porta, dificultando entrada, saída e horas preguiçosas de tevê no quarto, ao invés da solução mais prática de colocar os colchões na sala. Hoje então, minha mãe tirou o dia para me ofender e me humilhar. Acho que esse é o passatempo preferido dela e do meu irmão que, na ilusão da família perfeita que só existe na cabeça deles, dizem que eu atrapalho o andamento das coisas nesta casa. Se eu passo o dia inteiro fora de casa, eu sou inconveniente por não fazer sala para as visitas. Se eu passo o dia inteiro em casa, eu sou um monte inútil de gordura ocupando espaço. E já não basta ter de ceder minha cama - coisa que eu detesto, diga-se de passagem -, eu tenho de engolir desaforo por querer entrar no meu quarto e ter acesso ao meu guarda-roupas. Eu estou começando a surtar com a falta de dinheiro. E é por isso que eu me pego pensando "como assim eu aqui sofrendo porque não pude pagar nem a conta do meu celular e minha prima (que está tão desempregada quanto eu) gasta quase o valor de um carro numa festa de aniversário para o marido dela?". Hoje falei com F. sobre isso. Sobre como eu fico sem graça de sair com ela sem ter um real que seja; diz ela que é bobagem, que não liga de gastar comigo. Mas, claro, eu sou uma pessoa orgulhosa e fico, de fato, sem graça. Tenho estado desanimada com a minha vida, em geral. A falta de grana, o cárcere caseiro, minha saúde... Tudo tem me incomodado. Me incomodam as trocentas milhões de entrevistas semanais, as várias fazes de processos seletivos, para chegar na última fase e perder vaga para alguém que estuda numa faculdade com nome mais conhecido no mercado. Me incomoda minha mãe, que só abre a boca para me chamar de monte inútil de banha e me lembrar do quanto ela se envergonha de mim. Tenho me incomodado com meu peso e com a minha visão, cada vez piores. Tenho me incomodado de não ser mais requisitada entre amigos, e tenho me incomodado com a proximidade da volta às aulas, e com todas as discussões que isso acarreta aqui em casa. A questão é que eu gostaria muito que este ano fosse diferente do ano passado. Às vezes eu acho que é e, outras tantas, me desanimo com as atuais circunstâncias da minha vida. Sinto que preciso de um auxílio maior, de um auxílio espiritual, para elevar um pouco a minha fé, em qualquer coisa que seja, principalmente, a minha fé em mim. Publicado por LAÍS ALVES SILVA em 1:54 AM | _______________________________________________________________________________________
Harry Potter
Explicando
Recomeçando.
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